Procedural
www.procedural.com.br
Apresenta:
Micromanual do autodidata cibernético
Por
Cícero Moraes
(cogitas3d-bl, cogitas3d, cogitas)
Site:
http://cogitas3d.site.vu
Email:
cogitas3d@msn.com
Introdução
Desde criança tenho travado uma luta introspectiva entre o
prazer a curto e o a longo prazo. Desde a tenra idade, meus instintos
teimam em apetecerem-se por aquilo que é fácil e
agradável. Lembro-me de quando estudava no período
vespertino, e como a minha mãe sofria para acordar-me todas as
manhãs. Eu odiava a escola, detestava aquele ambiente e
principalmente, por que obrigavam-me a frequentá-lo. Durante
muitos e muitos anos eu literalmente matei as aulas, mas conforme estes
passavam eu me atentei a um conceito interessante. O de que fazer o que
não gostamos as vezes é uma escolha sábia, por
exemplo aprendi a ler e a escrever, dois dos principais pilares da
estrutura do saber. Posso dizer que grande parte do que aprendi
não me é nem será útil na vida, mas... como
os adolescentes ficam até arrumar um companheiro digno de ser
seu namorado, eu "ficava" dia-a-dia com um conhecimento diferente,
até que escolhi minhas namoradinhas nesta agradável
poligamia didática.
Apesar de não frequentar mais o ambiente escolar, ainda hoje
deparo-me diariamente com situações e escolhas
indesejáveis. Situações que eu preferiria nem ter
de passar, mas trago na mente a certeza de que mesmo
desagradáveis, são elas úteis e parte fundamental
de um caminho perene. O Linux foi uma fato marcante em minha
vida, isso por que passei raiva em 90% do tempo que mexi nele
até hoje, mas ao invés de odiá-lo aprendi a
amá-lo e muito descobri por via dele. Portanto
quando pontuo "situação didática
desagradável" quero dizer na verdade "oportunidade de
aprendizado e paixão por o saber".
Neste artigo, vou dissertar a MINHA experiência na busca pelo
saber, os mitos que derrubei, as concepções adquiridas e
os fundamentalismos vencidos. Adianto porém que a busca pelo
conhecimento tem a largada dentro do órgão mais
específico a esta atividade... o teu precioso cérebro,
guiado pela vontade, pelo desejo de aprender e aquecido pelo
coração, na sublime certeza de se saber capaz de
alcançar todos os teus anseios.
1.Conceitos
iniciais
Todas as pessoas buscam um conhecimento específico, mesmo que
ele pareça geral a primeira vista. O conhecimento é como
uma impressão digital, cada um tem o seu e trilhará seu
próprio
caminho em busca dele. Por isso, não adianta esperares que um
curso qualquer satisfaça os teus anseios didáticos, isso
com certeza não acontecerá. É comum também
que busquemos dos mais sábios as melhores dicas, mas na maioria
das vezes recebemos destes uma indiferença dolorosa, que
repercute até numa baixa produtividade intelectual. Mas antes de
criticar temos de nos atentar para um fato, a aversão do ser
humano à redundância, ou seja tudo demais é
desagradável. Um bom exemplo disso são as piadas, uma vez
que tu escutas uma, ouví-la novamente não o fará
rir, e ouví-la várias vezes ao dia poderá
até deixá-lo amuado. Um "sábio" que aqui
pode ser um especialista em Linux, Blender ou afins, costuma agir com
indiferença as perguntas e novidades decobertas por ti
justamente por que elas são como piadas contadas mil vezes
à ele. Quando se usa um fórum por exemplo, os novatos
costumam fazer perguntas que a muito já foram respondidas, e
acham que elas devem ser explanadas sob pena de crítica a
comunidade. Esse é um problema comum que tem eficiente
solução, só que demanda de médio prazo.
Qual é ela? Qual a primeira coisa que tu deves saber para
ingressar no mundo do autodidatismo? Bem, a primeira coisa que deves
saber é que tem um monte de gente que está louca para te
ajudar, mas se esperas entrar em contato com elas e receberes as
respostas de mão beijada, podes tirar teu cavalinho da chuva. Um
"sábio" não tem tempo para conversar contigo, não
por conta de seres digno ou não, o problema está no tempo
e nas prioridades dele. Em nosso tempo, uma ferramenta tem exercido
notoriamente o papel de "ponte de chatos", é o Msn. Por que
ponte de chatos?
O tempo, a redundância e a
ponte de chatos
Suponha que tu sejas uma pessoa que mora num lugar remoto e que
não tens acesso a internet, e dispõe apenas de uma
pífia biblioteca para aprender o que deseja. Durante muito tempo
tu buscas conhecer "sábios" que possam ajudar-te a desbravar o
mundo do conhecimento, mas na tua remota instância a
ocorrência destes é zero. Daí não te resta
outra saída senão a da autoaprendizagem por "tentativas e
erros." Tu corres para a biblioteca e vai lendo o que parece ter
ligação com o campo escolhido. A princípio
estás mais perdido do que cego em tiroteio, mas depois de um
tempo, percebes algum progresso nos estudos. Mais um tempo e já
tens um pouco de autoconfiança e depois de alguns anos
estás preparado. Daí um belo dia chega um computador na
biblioteca e tu entras até que enfim, no mundo da internet e
expande incomensuravelmente tua sapiência. Decide então
confeccionar um site sobre o "assunto" de teu agrado e dentro em pouco,
passas a trabalhar com ele e ministrar cursos sobre o mesmo. Percebes
no decorrer deste processo que algumas indagações no
tocante ao "assunto" são repetidas várias vezes,
tornam-se clássicas, tu então crias um documento com
estas
perguntas frequentes, um FAQ. Tudo vai bem, mas com o tempo vais te
cansando de ensinar, de falar várias e várias vezes as
mesma coisa. Decides criar documentos que tragam ao sedentos de
conhecimento a base para sanar as dúvidas. Ótimo, criaste
o FAQ e os tutoriais para que ao invés de te importunarem, tu
possas gastar teu tempo em um conhecimento mais específico que
ampliará o teu espectro de saber e possibilidades
técnicas que desembocarão em novos documentos. Mas
infelizmente, perceberás que as pessoas não tem o costume
de ler, isso é um fato notório em nosso país.
Sendo assim as
pessoas teimarão em procurá-lo para fazer as mesmas e
cansativas perguntas. Tu dizes a eles que já fizeste um
documento explanando tal assunto, mas eles justificam dizendo que
só querem uma "dicazinha". Os
"chatos" de uma hora para a outra se vêem sedentarizados pelas
palavras
do "sábio", dependendo destas até para caminharem, isso
não é nada bom
para quem desejar aprender, pois como dito o conhecimento é um
caminho
que deve ser percorrido por cada um.
O Msn é a ponte para
estes chatos. E se tu ficaste triste com esta definição,
das duas uma, ou tu és um chato, ou já foste. A
questão aqui não é menosprezar os chatos, por
que... com certeza todos já fomos em alguns momentos da vida, e
é muito provável que voltaremos a ser. O que quero
é oferecer um caminho, o mais livre possível de
chateação e desta forma otimizar a tua busca pelo
"assunto".
Novos hábitos
Geralmente fazemos péssimas observações sobre as
nossas capacidades. Como quando por exemplo, garantimos que não
somos capazes de fazer algo, ou que determinada coisa não foi
feita para ti. Isso é uma mentira, uma forma de cruzares os
braços por uma boa desculpa. Não estou dizendo que devas
abrir teu tempo para tudo o que aparecer em tua vida, mas que deves
sim, "peitar" os desafios que surgirem na tua caminhada didática.
Eu mesmo a alguns anos tinha o hábito de ignorar o plural na
construção de frases e mesmo lançar mão de
muitas palavras de baixo calão em meus discursos. Mania? Sim,
um hábito. Quando entrei num campo mais "profisisonal" detectei
rapidamente a necessidade de abrir mão destes hábitos, e
de um dia para outro busquei corrigir-me nas minhas
construções discursivas. Hoje dialogo de forma "correta",
mas por hábito, não forço nada em momento algum,
este é o problema em alguns campos, as pessoas "fazem um papel"
ao invés de "serem." Portanto, se queres ser algo, passes a agir
como tal.
Um hábito saudável
é o da leitura: mas podes ir tirando da cabeça
aquela imagem de um intelectual sentado em uma poltrona a deliciar-se
com um livro, munido de seus óculos de grossa espessura.
Leitura aqui tem duas estradas objetivas, interesse e diversão.
Os intelectuais costumam criticar os livros de leitura entretetiva como
os do Paulo Coelho e etc, mas esquecem que nem todos são
literatos ou amantes das letras, aliás tem gente que não
está nem aí com isso e como se pode ver, vivem muito bem.
Por que vivem bem? Por que não existe "o valor" e sim "um
valor", assim como não existe "a verdade" e sim, "uma
verdade." Os livros do Paulo Coelho ensinam muitas coisas e a
pior
das hipóteses te ensina a escrever melhor. O importante é
ler no sentido de aprender o que desejas e alcançares os
objetivos
em questão. Hoje nós temos a internet, que é a
maior biblioteca que o ser humano já deparou-se. Se a pessoa
estiver munida de força de vontade e souber ler, ela com certeza
encontrará o que deseja. Mas para isso deve-se correr
atrás. As dúvidas que tu tens com certeza já
pulularam na mente de outra pessoa, e ela postou-a num fórum ou
criou um artigo sobre tal. Sem contar que existem milhares de
publicações abertas sobre qualquer assunto que o homem se
interessou em toda a evolução, para cocluir a internet
é uma bolsa infindável de conteúdo intelectual e a
melhor forma de captá-lo através da leirtura, já
que o texto ao contrário do áudio e vídeo costuma
se mais
barato para confeccionar e mais rápido para ser carregado,
taí o por que do hábito da leitura ser tão
precioso.
Correr atrás e não se
intimidar com as dificuldades: Este é outro bom
hábito, geralmente nos queixamos muito se não encontramos
o que procuramos, mas se queixar não resolverá o
problema. Adquiras o hábito da resignação, aceites
desde já que és um ser resignado e que a paciência
anda a par com todos os teus sentimentos didáticos, dentro de
pouco tempo serás um monge budista do saber. :)
Se não tens cão
caças com gato: Dificuldade não são
páreas para a adaptação. Se não tens
cão caças com um gato! Vejas um exemplo, ao invés
de procurar videotutoriais procures tutoriais escritos que são
mais fáceis de encontrar. Se teu micro é muito antigo e
não renderiza imagens pesadas, uses ele para modelagem e
animação, na hora de renderizar mandes as imagens ao
renderplanet.com. Se o teu micro é tão velho que
não roda sequer o Win95 direito, instales um Linux em modo
texto,
tu poderás até navegar na net e receber e-mails nele,
então se não tiveres uma ferramenta específica,
alteres
a forma de trabalhares.
Ter
objetivos claros: Objetivo é um dos conceitos mais
importantes na aprendizagem. Isso por que ele é a linha
delimitadora da estrada rumo ao saber. Ele é a referência
que temos para saber onde estamos indo e assim estarmos menos
vulneráveis a ansiedade. Ter objetivos, é definir o que
desejas dentro de um mar caótico. É uma meta bem
delimitada que serve como referência e mesmo que ter percas por
vezes neste mar infinito que são as opções,
é o objetivo que te traz de volta ao "caminho da luz."

Gráfico do objetivo. O "muierada" da área
de tolerância é só para descontrair. Não
leves a sério e muito menos chamem-nas disso.
Aprendas inglês: Eu sei
que parece patético eu dizer isso aqui. Mas o inglês
além de ser a língua do mundo é fácil e
não tem tantas excessões como no português.
Além do mais a esmagadora maioria dos programas é feito
nela, e os códigos destes também. Muito material
específico está escrito em inglês e as
páginas principais tem uma versão neste idioma.
O que buscar para aprender?
Eu estava
com planos de confeccionar algo relacionado ao Blender, mas a
inspiração teimava em não bater a minha porta.
Depois de um bom tempo e
infrutíferas tentativas, voltei-me para minh'alma e acabei
buscando
respostas na minha experiência de vida. Pontuei algumas
características fundamentais em meus momentos de
inspiração. Acabei por situar-me a alguns anos
atrás, quando eu
perambulava pelos fóruns e não entendia o que levava
aquelas boas almas
a modelarem e renderizarem tanto material para apreciação
pública nas
sessões de wip (work in progress - trabalho em progresso) e
finalizados. Recordo-me que eu dispunha então de um forte
propósito
didático, estava louco para aprender mas não encontrava
um projeto que
me empolgasse e partisse de pressusposto para a
realização deste plano.
Um belo dia, numa destas visitas esporádicas,
deparei-me com a
modelagem de uma Kombi dos anos 70; isso mesmo! Foi amor a primeira
vista! Depois de muita análise dos wires (modelo tridimensional
com
visualização aramada), leitura e releituras do texto do
tópico, decidi
modelar a minha. Não preciso dizer que passou longe do esperado,
mas
além de introduzir-me no mundo do subdivision modeling e da
radiosity,
extraí deste espisódio uma importante lição:
Faças aquilo que gostas, por
que o que te apetece também
inspira-te.
Ou seja, as vezes tu te encontras no meio de tantas
opções, que te
vês impossibilitado de fazer o que os outros fazem, como modelar
carros
ou personagens. Isso obviamente, não significa que não
és apto para
executar tais tarefas. Vejas bem, se fores um engenheiro
mecânico, um
projeto 3d de uma bomba hidráulica pode ser muito mais excitante
e
recompensador do que o de uma nave espacial. Se fores um gaúcho
daqueles assíduos no CTG, uma cúia de chimarrão
é mais bonita do que o
Arco do Triunfo. As respostas à tua
inspiração podem estar ao alcance
do teu mais breve pensamento, seja no que trabalhas, nas
recordações da
tenra idade ou afins.
Generalizado X Específico
Tu provavelmente já te deparaste com
uma situação onde pediste algo a alguém ou mesmo
comentaste um assunto e recebeste em troca total indiferença ou
resposta arrogante.
Com certeza, tu também já desempenhaste este papel com
teu sobrinho ou amigo mais chegado, quando este lhe perguntou por
exemplo o que faz o computador. Por que isso aconteceu? Bem, "eu"
costumo atribuir estas situações ao problema do
"generalizado x específico". Eles são dois
irmãos que se amam e necessitam-se, mas também costumam
protagonizar algumas situações desagradáveis como
as descritas a pouco.
Vamos imaginar o seguinte. Quando tu aprendes
informática, precisas partir de conceitos básicos e ir
ascendendo no conhecimento até operar o micromputador com
comandos, através de janelas, botões etc. A maioria das
pessoas que usam um micro, ao lançar mão de um recurso
básico, fazem-no de modo padrão, assim podem-se auxiliar
e trocar
informações sem maiores problemas. Ou seja, um curso
básico de informática, forma o usuário com
conhecimento generalizado para trabalhar num micro.
Penses se num curso de informática básica ou
de operador fossem discutir sobre arquiteturas de processadores, sobre
drivers de hardwares, sobre todas as opções de programas
que o mercado oferece e estudá-los? Impossível!
Agora, imagines que tu terminaste este curso de
informática básica e escolheste profissionalizar-te
em computação gráfica. Bem, tu iniciarias outro
curso, aprendeiras muito mais do que já sabias e principiarias a
voltar tua mente à área de desenho ou modelagem 3D. Em
poucos meses tu estarias familiarizado com dezenas de termos novos e,
digamos, procurarias um amigo da antiga escola de informática
para discutir teus avanços.
Tu falarias sobre o lindo desenho que fizeste
e mostrarias uma folha com ele impresso ao teu amigo, este diria:
- Bonitinho o teu desenho!
Tu pensarias então: "bonitinho! Eu usei os comando mais loucos,
as técnicas mais sinistras, passei horas e horas desenhando e
tive de aprender sozinho as ferramentas tal e tal e ele diz que
está bonitinho!" Depois da efêmera
apreciação, teu amigo o chama ao computador dele e te diz:
- Venhas ver o que EU fiz! (Acompanhado daquele ar
típico dos espíritos superiores, uma sombrancelha alta em
atitude modesta e a outra baixa, revelando maldade e malícia).
- Como te disse, estou fazendo um curso de
programação, iniciei um programinha e gostaria que o
visse.
Ele dirige-se ao micro, abre o programa, e tu,
amuadíssimo com o ocorrido a pouco pega o mouse, deslizas sobre
um botão qualquer da interface, clicas e... nada acontece.
Então perguntas:
- Ué, não faz nada!
Desta vez, é o teu amigo que enerva-se: "Não acredito!
Tive de me matar estudando as bibliotecas desta interface, as
técnicas de compilação e ainda por cima desenhei
tudo por texto, fiquei dias e dias procurando a melhor forma de
posicionar os botões, ganhei a nota mais alta da sala e este
trolha está preocupado com detalhes bainais, vai ele fazer um!!!"
O que aconteceu acima, foi um choque de
conhecimentos específicos. Isso por que o "programador"
está acostumado a ver desenhos prontos, e julga que
fazê-los não seja um processo tão complicado,
não
mais complicado do que por exemplo, programar. Ao passo que o
"designer"
nunca interessou-se por programação, e desconhece por
completo os processos de montagem de um software.
Uma pessoa, quando entra em contato com um
conhecimento específico, tende a dirigir-se a um nicho, uma
comunidade de iguais. Assim, discute apenas o que lhe interessa, nos
fóruns e chats desta. Dentro de algum tempo ele estará
"afiado" e pouco a pouco vai se aprofundando naquele assunto. De modo
que, se um ''leigo" te pergunta:
- O que este programa faz?
E tu fosses explicá-lo despejando todo o teu conhecimento,
haveria grandes chances do ouvinte se cansar e principiar a bocejar.
Depois de fazeres isso com umas dez pessoas diferentes, tu percebes que
não adianta explicar, e quando te perguntam novamente, tu
calejado pela experiência dizes:
- Bem, é complicado explicar, faz um monte de
coisa... e, não estou com saco de responder!
Daí chegamos a seguinte conclusão:
Este é, digamos, o mal do conhecimento específico, a
aversão inicial ao que foge de seu espectro, e pior ainda, a
indiferença dos seus detentores àqueles que não o
possuem. Quando tu fores agraciado com o conhecimento
específico, não esqueças de ser condescendente com
os que estão iniciando a caminhada, regalando a estes respostas
mais práticas a suas dúvidas, de modo a não ser
arrogante e tampouco detalhista ao extremo. Lembres-te sempre que:
Perguntas
generalizadas pedem
respostas generalizadas.
Logo, perguntas específicas pedem respostas específicas.
Se alguém te pede por exemplo o que é o Blender, tu
respondes:
- É um programa para modelagem e
animação 3d, que tem módulos de
programação de jogos, edição de
vídeo e é grátis.
Certo, tu podes ter pensado: "Ele não falou em opensource."
Vejas bem,
eu não esqueci. Só evitei pontuar esta
característica por que a pessoa com certeza desconhece o que
seja exte conceito. Como tu achas que o Silvio Santos alcansou tanto
sucesso?
Que as novelas da Globo são tão assistidas? Que a
música pop é tão ouvida? Simples, todos são
produtos de cunho genérico. Apesar de conterem inúmeras
falhas e pouca filosofia, são entendidos por um grande
número de pessoas. E não adianta criticares este fato,
por que há uma grande chance de as coisas serem assim para...
bem, para sempre. E como reza o velho ditado:
Se não podes vencê-los,
juntes-te a eles.
Entenda-se "juntes-te a eles" por "desenvolvas algo
para ser usado e apreciado por eles."
2. Conhecimento: A
degustação diária.
A pressa é
inimiguíssima da perfeição
Tranquiliade, esta é a postura que devemos ter
diante do "assunto". A pressa é inimiga da
perfeição não pelo contexto de rapidez, mas sim
pelo de "cobrança de resultados" sem a exposição
necessária para a captação didática.
O que quero dizer com isso? Mais uma estorinha...
Em um dia de navegação na internet, tu te deparas com uma
matéria sobre cartoons. Teus olhos comem as letras e enebriam-se
com os desenhos que surgem na tela. Imediatamente tu ficas inspirado e
principias a rascunhar uns personagens. Entras em sites
específicos de cartoon e delicia-se ao apreciar o traço
dos mestres. Diriges-te à banca de revistas e torra teus
troquinhos suados em algumas, inclusive as do estilo
"como desenhar em duas semanas." Chega em casa queimando de
inspiração e a tarde inteira o teus dedos ficam correndo
sobre as folhas de sulfite a delimitar formas heróicas, sem
filosofia concreta mas com muitos músculos. No final do dia tu
aprecias a obra e conclui que não ficou tão ruim, levando
em consideração a imaturidade dos teus traços. Vai
mostra para a mãe e ela diz que está o máximo
(esta parte não estava no script, mas não resisti).
Tudo corre bem durante alguns dias, mas depois deste curto
período a tua inspiração perde força e tu
desistes de ser um novo Stan Lee.
Por que isso acontece? Bem, por vários motivos, como a brevidade
da inspiração, pela falta de uma boa base
filosófica na profissão... mas, o que eu quero pontuar
aqui é o que chamo de "atividade estafante virtualmente
agradável." O que vem a ser isso? Simples, nós temos um
limite para suportar o trabalho. É só olhar para o
panoramas das civilizações que já norteam a Terra
e perceber que quase todas tem ou tiveram um dia de feriado. Um dia
para se guardar, o Domingo deles. Outro exemplo que posso citar
é o daqueles "atletas" que a meses que não disputam uma
partida de futebol, e de uma hora para outra decidem se aventurar numa
pelada. É certo que a performance atlética deles
não ultrapassará alguns minutos, e os mais corajosos que
quebram esta barreira tem o outro dia para apreciarem suas agudas dores
musculares. A "atividade estafante virtualmente agradadável"
é como um gráfico, em que inicia-se quando nos deparamos
com um "assunto", neste momento nos inspiramos e desejamos saber mais
sobre ele e já de cara, colocar a mão na massa, neste
momento, o gráfico abandona o ponto zero e sobe rapidamente,
culminando no apogeu quando estamos nos divertindo com as atividades de
treinamento (assim como o personagem que ficou a tarde inteira
desenhando), depois de algum tempo a inspiração perde a
força, e o gráfico tem uma rápida queda até
voltar a estaca zero. O motivo principal disso é a falta de
disposição decorrente da excessiva
exposição ao "assunto" imposta pelo treinamento. Quando
estamos no tranze ativo do treinamento, nós dispensamos o
Domingo, ou seja, o descanso o tempo necessário para ficarmos
relaxados. Isso parece sem muita lógica, mas se tu parares de
praticar uma atividade de que seja um tanto cansativa, tua
memória teima em te lembrar dos momentos desagradáveis
impostos por ela, de modo que a falta de vontade de voltar a
fazê-la será muito maior do que a de fazer. Em outras
palavras, tenhas calma, dês tempo ao tempo quando fores praticar
algo.
Costumo dizer que nós comemos o conhecimento, mas comemos com os
olhos e os ouvidos, e o papel do estômago neste caso é
exercido pelo céreobro que capta e processa o que vem de fora.
Mas ele é um tanto enjoado e não gosta de muita coisa ao
mesmo tempo. Uma vez eu lí que captamos 10% do que lemos; eu
acho que é muito, se captamos 2% já é uma marca
histórica. Para captarmos este 10% não basta ler
uma vez e sim várias. Se desejas entender um
"assunto" tu deves se expor a ele, mas em dozes homeopáticas,
pequenas e diárias.
Portanto vou pontuar aqui como eu procedo para alcançar meus
objetivos didáticos. A primeira coisa que faço
após interessar-me por algo, é obter um material
introdutório do assunto (vejas lá o que estás
pensando!), algo pequeno, sem nada de específico (neste altura
do campeonato ele é perigosíssimo), um texto pequeno que
pontue os aspectos principais do contexto. Passo dias lendo aqui e
acolá materiais ligeiramente semelhantes. Leio várias
vezes o mesmo, pois sempre esqueço-me dos detalhes. Os dias
passam e paralelo a este semi-aprendizado, procuro desempenhar outras
tarefas que não tenham muito a ver com o "assunto" do momento.
Assim, dia a dia vou lendo sobre ele e depois de pouco tempo posso
sentir o progresso da "captação". Como? Simples. Suponha
que tu estás estudando sobre composição de
cenários. Tu estudaste por alto, mas diariamente. Num belo dia,
quando não tens nada para fazer, decides assistir um pouco. Na
televisao está passando um filme antigo, que tu já viste
umas tantas vezes. Em uma cena tu percebes os elemento no segundo
plano,
e percebes que foram muito bem compostos. Dentre eles tu vês
claramente uma cadeira estilo Luís XV, e apetece-te saber o que
ela é. Derepente lá estás tu vislumbrando o filme
de forma agradável, mas de outro ponto de vista. De modo geral,
tu não estás nem aí para a história, mas
sim pela cena. Pelo segundo plano, pelos móveis que tu
heroicamente conhece e podes gradativamente pontuá-los.
Lentamente tu vais amplianto a gama de estilos conhecidos e vais
pontuando cada vez mais móveis em uma cena, em filmes, fotos,
quadros
e afins. Cada vez mais, o teu conhecimento fica específico, isso
nota-se claramente pela diferença de intenção ao
assistires um file, pois a pessoa do teu lado geralmente está
interessada na estória e tu por outro, nos detalhes
cenográficos.
Pois bem, depois de tu leres bastante um material generalizado,
principiarás a familiarizar-se com termos específicos e a
entender como as coisas funcionam de modo mais fundamental. Estar
familiarizado com termos é importantíssimo, pois eles
cristalizam em poucos palavras uma quantidade densa de significado.
Cada termo que aprender vale por dezenas, centenas, milhares de
palavras.
Neste ponto, tu principias a distanciar-te do conhecimento
genérico e entras numa realidade mais técnica
(específica). É hora de procurar o nicho de iguais, de
pessoas que de uma forma ou outra estão interessadas no mesmo
assunto. Nada melhor do que uma comunidade, lá tu
encontrarás fóruns e poderás dialogar sobre o
"assunto" sem tanto receio de não ser compreendido.
Com o auxílio da comunidade, tu terás um porto seguro
para lançares pequenos projetos. Quando eu digo pequenos,
entenda-se ínfimos, simples e por que não
retrógrados, afinal tu és um iniciante. Aproveites este
tempo e procures ler o material do fórum, lá tu
encontrarás um oásis de informação.
Contemplarás a tua história anteriormente vivida por
outros e poderás tirar bom proveito disso. Como diria o ditado
chinês:
O sábio aprende com o erro dos
outro
O tolo com próprio erro
e o idiota não aprende nunca
Muitas dificuldade irão surgir, mas para vencê-las basta
repirares o ar da comunidade. Leres os tutoriais, participares de
chats, analizar projetos alheios. Derepente compreenderás o que
parecia impossível de captares.
Se também achares uma ferramenta muito complicada, basta seguir
o "tratamento" e permaneceres calmo. Diariamente "brinques" com a
ferramenta em questão, principiando com objetivos simples.
Quando venceres um degrau, pules para o outro, calmamente.
Dentro de pouco tempo tu estarás familiarizado com o objeto de
estudo.
Existirá situações em que tu "apanharás"
das matérias. Lembro-me que isso ocorreu comigo quando eu estava
aprendendo configrar o Lilo (carregador do Linux). Para os iniciantes
deste sistema operacional o Lilo parece mortal. Eu mesmo perdi
várias instalações por não saber
manuseá-lo. Tanto me encomodei com a situação que
opetei por configurações pré-definidas. Demorou um
bom tempo para eu voltar a mexer neste programa, mas quando o fiz, "o
ar" da comunidade Linux esta a toda no meu pulmão, de modo que
já havia acumulado conhecimento suficiente para configurar o
programa manualmente, o que permitia-me ter mais controle do meu
ambiente de trabalho. Chamo a este técnica de "estudo com modelo
pronto". Ela consiste no seguinte. Tu estudas um "assunto" baseada em
algo já pronto, uma página da internet por exemplo,
um script, um sistema operacional com seus arquivos de
configuração. Tu lanças mão de algo
já configurado e vai fazendo as modificações de
modo a perceber as mudanças sem colocar em xeque todo o sitema.
Depois de um bom treinamento, tu terás carga suficiente para
partir do zero nos novos sistemas que trabalhares/criares.
O problema do tempo
Depois que tu adquires um conhecimento satisfatório em tua
ferramenta de trabalho, uma sensação de onipotência
é comum em teus dias. Mas fiques esperto, geralmente ela vem
acompanhada de um forte desejo de engajamento em projetos
magalomaníacos, como a confecção de um superportal
de internet, um curtametragem, um programa revolucionário e
afins. Esta inspiração é perigosa no sentido de
agir como uma força coercitiva nos projetos futuros. O que tu
deves saber é que a realização de um projeto
demanda de tempo e planejamento, e se não tem planejamento com
certeza este fator será recompensado pela
adaptação, como no caso de algo pequeno que pouco a pouco
cresce. As minhas dicas neste sentido são as seguintes:
Organizes-te de modo mais prático possível para
não teres problemas futuros com o teu trabalho. Geralmente
não ligamos para a organização no ambiente de
trabalho, e só nos damos conta do erro depois de muito tempo,
quando necessitamos de algo antigo ou de uma época determinada e
não temos condições de encontrar.
Compres um caderno e nomeies ele como a teu pequeno manual. Coloques
nela todas as tuas observações sobre problemas
surgidos no decorrer de tua aprendizagem, assim se acontecer de novo tu
já tens como te virar. É comum acharmos que dominamos o
problema e desdenhar a possibilidade de que, se ele acontecer novamente
nós
não saibamos como resolvê-lo.
Utilizes o mínimo de ferramentas possíveis. Procures
lançar mão de componentes que te dêem liberdade de
trabalho e não te atrelem a uma tecnologia que possa trazer
problemas futuros. Por exemplo, se fores estudar Flash, tomes o cuidade
de aprender o máximo sobre técnicas de
animação clássica, já que o Flash é
proprietário e nunca se sabe o que passa na cabeça dos
seus desenvolvedores, sabendo algo "a mais" tu já estarás
preparado para um campo que excede o deste programa, ou poderás
até utilizar outros com este fim. Outra dica que dou aos
estudantes de 3DS Max por exemplo, é que se preocupem com a
filosofia da modelage 3d e não as ferramentas específicas
do programa, assim se tiveres de mudar um dia de software,
estarás preparado para uma migração menos dolorosa.
Tomes cuidado com projetos que podem esticar-se por longos
períodos, eles costumam dar muita dor de cabeça e se
não forem bem remunerados trazem momento de estrema
desgradabilidade... do tipo: -Como eu entrei nessa!
Estuda menino!
Um fator interessante em todo este processo, é que tu
perceberás que utilizará em média apenas 20% do
que aprendeste. Parece pouco, mas é a realidade e tem muita
lógica. Vejas o exemplo do genérico x específico,
as pessoas que não detêm um conhecimento específico
tendem a padronizar seus anseios frente aos "assuntos". Por exemplo, um
engenheiro na maior parte das suas atividades profissionais, reduz-se a
um desenhista de plantas arquitetônicas residenciais. Podes ver,
as pessoas costumam dizer: - Bem, estou pensando em construir uma casa,
vou procurar um engenheiro para fazer "a planta". Estas pessoas,
desconhecem a profundidade da preparação do profissional
e utilizam apenas uma ínfima porcentagem do seu conhecimento.
Outro caso, é o dos profissionais de informática, que
são contratados na maioria das vezes para "formatar a
máquina" e reinstalar o sistema operacional. Um profissional,
sabe muito, mas muito mais do que a média necessita. Tu se
desejas incutir no público os teus trabalhos mais complexos,
terás de fazer uma boa campanha sobre eles. Uma espécie
de propaganda sobre o serviço. Mas, não esperes que os
clientes entendam em um primeiro momento, pois novidades assim,
costumam ainda que discretamente, causar um certo reboliço no
cérebro deles. Parece piada, mas não é, tu tens de
"preparar o cliente" para as novidades e serviços. Se descobres
algo novo, deves criar uma espécie de "historinha" para esplicar
a ele como funciona a tecnologia nova. E podes esquecer de
lançar mão de termos técnicos, faças tudo
de um modo bem genérico, os 20% tratados acima. Não
adianta detalhar o processo, pois tuas palavras entraram por um ouvido
do teu interlocutor e sairão pelo outro.
Testes, testes e mais testes
Não adianta tu fazeres teus testes apenas no seio de
amigos, família ou no teu computador. Para que teu trabalho se
torne melhor e eficiente, há a necessidade de colocares ele a
prova, testá-lo fora de teu ambiente superprotegido. Por
exemplo, se tu desejas trabalhar com Linux, não adianta
fazê-lo funcionar apenas em tua máquina, deves
instalá-lo em outras. Fazendo isso tu terás a
oportunidade de absorver mais conhecimento, estarás preparado
para mais situações e estarás ciente da
necessidade dos outros usuários; como dizem, a voz do povo
é a voz de Deus. Mas vás com calma nos testes com
alheios, pois como eles desconhecem a plataforma, ficarão
demasiadamente dependentes de teu conhecimento. Se tiveres muitos
"dependentes" o teu tempo se resumirá a atender os problemas dos
outros, e o importante aqui é desenvolveres conhecimento de
campo e não frustrações interpessoais. Se tu
desejas trabalhar com computação gráfica, por
exemplo modelagem arquitetônica, aconselho-te a procurar um
profisisonal e oferecer teus serviços em troca de
experiência. Desta forma tu estarás exposto ao mercado que
compete os teus serviço e ficarás pouco a pouco
sensível as necessidades dele. Não adianta ficar obsecado
pelo dinheiro, isso por que as pessoas sempre pagarão menos do
que tu desejas. Penses em te tornares bom no que desejas, e mais do que
bom "conhecido", apenas desta forma as pessoas te procurarão
já pensando nos montantes pecuniários. Impotante
também é teu serviço ser útil a eles, e
para saberes o que é útil precisas "peitar" o mercado de
trabalho e conviver neste meio. Estudes com o teu cliente o projeto em
questão, procures ouvir o que ele tem a dizer. Minha
experiência mostrou que uma reunião enriquece notoriamente
o resultado final de um trabalho. Não penses que tu sabes tudo,
por que como citei anteriormente não existe "a verdade", estejas
aberto as palavras de outrem. Dispenses um bom tempo nos pormenores do
projeto, discutas as formas de melhorá-lo e verás que
cada vez
ele ficará mais bonito e aceito por um número maior de
pessoas. Esta é mentalidade generalizada que precisas para ser
aceito no mercado.
As delícias do desenvolvimento
por lapidação
Anteriormente eu citei o "objetivo" como ums dos principais fatores da
aprendizagem. Sim, ele é e potencializa-se quando não o
abandonamos no desenvolvimento de um projeto. Penses no seguinte,
geralmente quando estamos um tanto indecisos, principiamos uma
idéia e quando vemos uma ligeira melhora, abandonamo-la em
prol de outra novidade. O problema é que isso acontece muitas
vezes, a
ponto de desestimular-nos. O ideal seria nomear um "pressuposto" e
apartir dele desenvolveres teu projeto. Não te esquentes se a
princípio as coisas não ficarem boas, é comum que
isso aconteça, continues desenvolvendo e trocando os detalhes,
mudando as cores, as formas, conceitos e tudo lentamente há de
encaixar-se.
Chamo a isso de desenvolvimento por lapidação. Partir de
uma idéia e alterá-la gradativamente até atingir
um estado ideal. Quem trabalha com computação
gráfica já se deparou com a situação de,
atendendo ao pedido do cliente desenvolver "três exemplos".
Garanto que quase sempre isso é um erro. Ao invés de
trazer certeza a ele, traz indecisão. Isso estende o
tempo de desenvolvimento e acarreta muita furstraçao à
tua pessoa. O bom mesmo é partir de uma idéia e ir
"lapidando-a" até apresentar-se satifatória aos olhos do
cliente.
Bendita seja a limitação
Posso dizer que o que conheço profissionalmente é produto
de
limitações que sofri com as minhas ferramentas de
trabalho. Lembro-me que nos primórdios de minha
experiência com a
computação gráfica tridimensional eu vivia
reclamando da capacidade dos micros daquela época. Cada vez que
chegavam novas máquinas, as tecnologias "pesadas" tornavam-se
obsoletas, de modo que eu sempre estava atrás na corrida
tecnológica, reclamando insatisfeito com os resultados. Hoje
percebo que estava errado, isso por
que o que manda em um bom trabalho é antes de tudo a
criatividade. Todos temo-na, e os que dizem não a possuir
enganam-se. As limitações de ferramentas nos
dão uma oportunidade única de deixar a criatividade
aflorar, até por que reduz o infinito a um pequeno
número, ao qual detemos mais controle, menos possibilidades de
escolha e a oportunidade de fazer o nosso "infinito" através das
possibilidades de cruzamento. O que quero dizer com isso? Vou citar
alguns pseudo-casos.
1. A algum tempo comprei um micro antigo, um AMD 85 Mhz e instalei o
Linux nele. Graças a este "velhinho" aprendi a trabalhar no modo
texto deste sistema operacional. Percebi que o Linux é um grande
"modo-texto"
com uma pequena parte "gráfica". Descobri que através de
cruzamento de comando pequenos poderia fazer grandes coisas que
facilitariam a minha vida, que poderia fazer 80% do que fazia
em qualquer sistema operacional como entrar na internet, mandar
e-mails, criar sites, fazer desenhos arquitetônicos, editar
imagens, visualizar imagens etc. todos na telinha preta de um terminal.
Assim
vislumbrei a genialidade de quem desenvolveu as ferramentas, e acabei
reduzindo em 90% o tamanho do meu sistema! Minha
concepção de informática alterou-se completamente
e de modo produtivo. Além do mais, fiquei atento a detalhes que
antes ignorava, passei a ler mais a documentação dos
programas, a atentar-me para a história da iformática, e
como havia reduzido o número de softwares me sobrava mais tempo
para estudar os detalhes, para fazer as coisas que gostava. Reduzir as
possibilidades ajuda muito a poupar tempo. Não depender de
tantas ferramentas aumenta também a tua independência e
reduz (como já citado) os traumas de uma provavel
migração de tecnologia, isso por que os programas que
escolhi tem um forte caráter genérico.
2. Uma vez fui passar a semana na casa de uma tia de minha namorada.
Não havia muito para fazer... não havia nenhum micro
lá! :0) Mas a tia dela contava com uma boa biblioteca. Fucei
nela até encontrar alguns livros que me interessavam, dentre
eles um curso de pintura. Lí bastante, e aprendi sobre
algumas técnicas, mas como não contava com
pincéis, tintas e etc, acabei munindo-me de uma caneta
esferográfica e alguns papéis esporádicos, dentre
eles
toalhas de papel. Estudei bastante as técnicas de desenho e
iluminação do livro, mas tive de adaptá-las a
caneta esferográfica. Mais uma vez me antentei a filosofia em
quentão e não as ferramentas específicas, de modo
que tive significativos avanços naquela semana. Esta
experiência dentre outras, possibilitou-me lançar
mão de ferramentas "limitadas" e "não-específicas"
para desenvolver trabalhos em computação gráfica.
O impressionante desta história é que acabei gostando
deste tipo de desafios e hoje muito me apetece desenvolver meus
projetos visando estas ferramentas. Parece que além de
aparência tem um "significado" implícito
que enaltece seu valor. Sem contar que consigo me divertir com pouco, e
como diria Henry David Thoreau:
"O homem mais rico é aquele
cujo os prazeres são os mais baratos"
Ou seja, pegues o teu sucatão e principies a brincar com ele.
Desenhes um homem com caracteres.
Faças uma animação com objetos básicos,
programes
um Hello World em Tcl, enfim são tantas a adorávies
opções! Lembres-te, por um objeto ser obsoleto ou
barato, não significa que não é inteligente ou
útil. Se te disserem que for, proves com tuas divertidas
brincadeiras eles não sabem de nada!
Críticas são mais
importantes que elogios
Ser elogiado por um bom desempenho pode
proporcionar-te uma agradável sensação, mão
não esperes que todos façam isso, e muito menos o mercado
de trabalho. Se tu tens planos artísticos, esta regra não
é válida, pois trata-se da "tua" obra. Porém, se
desejas desenvolveres algo para agradar ou servir outrém, fiques
atento mais nas críticas do que nos elogios.
A princípio isso pode ser bastante
desagradável e até parecer que estão menosprezando
o teu laboro, mas não é por aí. Depois que tu te
resignas a ouvires as críticas alheias, a tua obra há de
ter mais qualidade e tu mais segurança. Tanto
melhorarás que quando leres as críticas aos teus
trabalhos
mais antigos, acharás que teus estivadores foram
até acondescendentes ao extremo contigo.
Conclusão
Como ficou claro na explanação, o
saber não pertence aos gênios, aos ricos, aos bonitos ou a
qualquer outra designação que remeta à
idéia de perfeição nos dias atuais. O saber
é um diamante, que lapidamos a cada dia, por todos os dias de
nossa vida. As vezes deixamos ele de lado, mas cedo ou tarde
tomâmo-lo novamente e retornamos a nossa incessante atividade.
Foi assim com a fala, foi assim com a memória, ao guardamos na
mente e proferirmos o nome de milhares de coisas que nos rodeiam.
Não te esqueças que tu és o
responsável pelo teu sucesso. És o responsável
pelo caminho que escolherá para conquistá-lo. Permitir
que fatores externos tomem o papel de protagonistas nas tuas derrotas
é antes de tudo cooperar com "a" mentira! Tomes as rédeas
da situação, acredites que és capaz... cortes de
teu vocalulário palavras como "tentar", "se", frases como
"não sou capaz", "isso é coisa para louco".
O melhor momento para mudares é agora, pois
nossa vida de resume a isso "agora". O ontem passou e o amanhã
não chegou. Aceites que neste momento és uma pessoa mais
capaz e logo, mais feliz e que tratará a tua
"lapidação" diária, com carinho e calma para que a
posteridade possa vislumbrar e dizer:
- Está aí a obra de um grande ser
humano!
Agradecimentos
Luiz
Carlos Martins - Que
ensinou-me além da auto hipnose, muitas lições de
instrospecção criativa, relaxante e edificante. http://www.auto-hipnose.kit.net/
Marshall Sylver - Paixão, Lucro e Poder... julguei
este título tão fútil preliminarmente. Quisera eu
tê-lo lido anos antes...